O controverso acordo envolvendo a empresa de open source e a criadora do Windows continua criando fortes reações, a favor e contrárias ao negócio.
Há dois anos, a Microsoft e a Novell firmaram um polêmico acordo. Entre outras coisas, as companhias concordaram em não entrar com processos por uso de propriedade intelectual, protegendo os usuários do Suse Linux de litígios por quebra de patentes da Microsoft. O acordo provocou debates acalorados na comunidade Linux, que até hoje é contra a iniciativa. Mas, para os envolvidos, o negócio foi positivo? Depende de quem estamos falando. Microsoft e Novell apresentam sempre um cenário muito positivo do acordo. “Os clientes gostam de ver as duas empresas juntas”, afirma Susan Hauser, gerente geral de parcerias estratégicas da Microsoft. Mas, um opoente fervoroso do negócio, responsável pelo site Boycott Novell, enxerga a situação de modo diferente. “A Novell comprometeu os interesses da comunidade de software livre em troca de centenas de milhares de dólares que recebeu da Microsoft. As duas empresas colocaram seus interesses na frente dos interessas da comunidade que faz os softwares que o restante do mundo usa”, afirma Roy Schestowitz, redator e co-editor do site. “O acordo legitimou as alegações duvidosas sobre patentes da Microsoft”, acrescenta Schestowitz. Segundo o editor, o negócio entre Novell e Microsoft levou a uma corrente de, pelo menos, sete acordos envolvendo o Linux e empresas com sistemas proprietários que também prejudicam os interesses do sistema de código aberto. Atualmente, executivos da Microsoft e Novell falam como se nunca tivesse existido nenhuma controvérsia. Mas existiram e muitos acreditam que a Novell fez concessões muito grandes a respeito de assuntos de propriedade intelectual e Linux. Alguns meses após o acordo, a Microsoft alegou que softwares de código aberto, como o Linux, violavam 235 patentes suas. Mas, a empresa não detalhou quais violações seriam essas. Com o entendimento entre as empresas, a Novell estaria livre de qualquer problema. Outros pontos do acordo garantem o uso de sistemas virtualizados, interoperabilidade de diretórios, gerenciamento de sistemas e um tradutor do formato Open Office XML, da Microsoft, para o Open Document Format, usado pela Novell. Mas, críticos como Schestowitz argumentam que o acordo, juntamente com as contínuas acusações de quebra de patentes feitas pela Microsoft contra o Linux, é mais um passo na direção da marginalização do Linux, ou de fazer do sistema de código aberto um mero coadjuvante no ambiente dominado pelo Windows. “Se a Novell e a Microsoft atingirem seus objetivos, o Linux será cada vez mais será deixado de lado nos datacenters, se tornando essencialmente um sistema secundário que roda sobre máquinas Windows, em oposição a um host que roda com ou sem o sistema da Microsoft”, afirma Schestowitz. O editor também alega que o acordo “gera receitas às custas de quem cria, oferece suporte e distribui software livre, o que, não somente intimida desenvolvedores, mas também torna o software livre uma alternativa menos atrativa do ponto de vista de custos e impede a adoção do principal competidor da Microsoft. Pelo entendimento, a Novell concordou em pagar royalties para a Micosoft com base nas suas vendas. Na opinião de Schestowitz, isso penaliza os colaboradores open source. Por outro lado, a Novell afirma que, na verdade, recebe mais dinheiro da Microsoft, no final das contas, graças à compra de 240 milhões de dólares feita pela dona do Windows em certificados de suporte para o Suse Linux, posteriormente vendidos aos clientes que usam os dois sistemas operacionais em seus ambientes. Em agosto, deste ano a empresa comprou mais 100 milhões de dólares em certificados. Os recursos, segundo a Novell, financiam os esforços da companhia em torno do Linux. No centro das críticas feitas por Schestowitz está a sua crença no fato de um fornecedor dominante estar tentando entrar no mundo open source com o objetivo de “seqüestrar” os competidores de código aberto. “Com o acordo, a Microsoft passa a impressão de querer colaborar com a comunidade open source e, desse modo, começou a freqüentar as conferências da comunidade assim que a negociação foi concluída, por meio da presença da Novell ou por convites implícitos”, afirma. “Mas, se a Microsoft quisesse cooperar realmente com a comunidade, devia começar abrindo seu próprio código e adotando formatos livres de patentes e royalties”, completa. Independentemente das implicações para o mundo Linux e open source, a Novell afirma que o acordo tem sido bom para o Suse Linux e para os fornecedores que usam seu sistema operacional juntamente com o Windows. “Nos últimos dois anos, na verdade nós expandimos as colaborações técnicas nas áreas de acessibilidade e gerenciamento e com projetos como o Moonligth-Silverligth”, afirma Susan Heystee, gerente geral de alianças estratégicas da Novell. “Tivemos um ótimo retorno por parte dos nossos clientes”, diz Susan. Apesar de alguns clientes, como o HSBC, terem afirmado que se beneficiaram do acordo, Schestowitz argumenta que os frutos da iniciativa não são tão benevolentes e que os consumidores estão evitando a Novell. “A empresa perdeu a confiança da comunidade e sua participação de mercado caiu frente a competidores que não concordaram em fazer acordos similares”, afirma.
Fonte: Computerworld
sábado, 29 de novembro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário